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11 de maio de 2026

NR-1 fortalece a gestão de riscos ocupacionais e deixa de ser apenas reativo e passa a ser essencialmente preventivo


A atualização da NR-1 não é apenas uma mudança burocrática; é uma transformação estrutural na gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST). Ao colocar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o PGR como pilares, a norma obriga as empresas a saírem do papel e partirem para a prática.

 

Abaixo, detalho os impactos, o funcionamento da fiscalização e as consequências do descumprimento:

 

  1. Impactos Estratégicos para as Empresas

 

A nova NR-1 exige que a segurança do trabalho seja parte da estratégia de negócio, impactando diretamente:

  • Custos Operacionais: Inicialmente, haverá um investimento em consultorias, treinamentos e softwares de gestão. Porém, a longo prazo, espera-se a redução de gastos com afastamentos, acidentes e substituição de pessoal (turnover).
  • Cultura Organizacional: A norma foca em riscos psicossociais (assédio, burnout, estresse). Isso exige que o RH e a alta gestão reformulem a cultura da empresa para um modelo mais humanizado.
  • Responsabilidade Civil e Criminal: Documentar o PGR corretamente é a principal defesa de uma empresa em caso de processos judiciais. Sem essa prova documental de prevenção, a empresa fica vulnerável a indenizações pesadas.
  1. Como funcionará a Inspeção e Fiscalização

 

A fiscalização pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) está se tornando cada vez mais digital e técnica.

  • Fiscalização por Dados (e-Social): Grande parte da inspeção começa antes mesmo do auditor chegar à empresa. O cruzamento de dados enviados via e-Social (eventos de SST) permite que o governo identifique inconsistências entre a atividade da empresa e os riscos declarados.
  • Análise do PGR: O fiscal não quer apenas ver o documento, mas a evidência de que ele é executado. Ele verificará se o cronograma de ações do PGR está sendo cumprido. Se o documento diz que haverá treinamento em janeiro e não há lista de presença, a empresa é autuada.
  • Entrevistas e Observação: O inspetor tem autonomia para entrevistar funcionários ao acaso para confirmar se os riscos psicossociais e físicos citados no papel são condizentes com a realidade do chão de fábrica ou do escritório.
  1. Possíveis Punições e Sanções

 

O descumprimento da NR-1 pode acarretar penalidades que variam conforme o número de funcionários e a gravidade da infração:

 

Multas Administrativas

As multas são calculadas com base na NR-28 (Fiscalização e Penalidades). Os valores podem variar drasticamente:

  • Infrações leves a gravíssimas: Podem custar de centenas a dezenas de milhares de reais por item irregular.
  • Reincidência: Em caso de reincidência, a multa pode ser aplicada em valor máximo ou dobrada.

Interdição e Embargo

Se o fiscal identificar um Risco Grave e Iminente (como a falta de proteção em máquinas ou risco crítico de desabamento/choque), ele pode paralisar uma máquina, um setor ou a obra inteira imediatamente.

Nexo Técnico Epidemiológico (NTEP)

Se a empresa não gere bem os riscos, o INSS pode identificar que as doenças dos funcionários são causadas pelo trabalho. Isso aumenta a alíquota do FAP (Fator Acidentário de Prevenção), fazendo com que a empresa pague mais impostos sobre a folha de pagamento.

Ações Regressivas do INSS

Caso ocorra um acidente ou doença por negligência no cumprimento da NR-1, o INSS pode processar a empresa para recuperar todos os gastos com benefícios previdenciários e pensões pagos ao trabalhador acidentado.

Nota importante: A conformidade com a NR-1 agora é contínua. O PGR deve ser revisto a cada dois anos (ou três, para empresas com certificações em sistemas de gestão de SST), ou sempre que houver mudanças nos processos de trabalho.

 

Para as Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP), a atualização da NR-1 trouxe um fôlego importante: o foco na simplificação e redução de custos, sem abrir mão da segurança. O objetivo foi desburocratizar o processo para quem tem estruturas menores e riscos baixos.

Aqui estão os principais impactos e facilidades para esses modelos de negócio:

 

  1. O Tratamento Diferenciado (Tratamento Favorecido)

 

A NR-1 estabelece que ME e EPP que se enquadram nos graus de risco 1 e 2 (atividades geralmente administrativas, comércio varejista, etc.) possuem vantagens específicas:

  • Dispensa de Programas (PGR e PCMSO): Se a empresa não apresentar riscos físicos, químicos ou biológicos em seu levantamento, ela pode ser dispensada da elaboração do PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) e, em alguns casos, do PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional).
  • Declaração de Inexistência de Riscos (DIR): Para oficializar essa dispensa, o empreendedor deve emitir uma declaração digital através da plataforma oficial do Governo Federal (pge.sit.trabalho.gov.br). Isso substitui a necessidade de contratar consultorias para emitir laudos complexos de riscos que a empresa não possui.
  1. Redução de Custos Diretos

 

Diferente das grandes indústrias, a pequena empresa muitas vezes não tem um departamento de segurança. O impacto aqui é financeiro:

  • Menos papelada: A economia com a dispensa de laudos técnicos pode ser significativa.
  • Capacitação Digital: A NR-1 permite que os treinamentos obrigatórios sejam feitos na modalidade EAD (Ensino a Distância), desde que respeitados os requisitos técnicos. Isso facilita a logística para quem tem poucos funcionários e não pode parar a operação.
  1. A Responsabilidade que permanece

 

Apesar da simplificação, o impacto na responsabilidade legal não diminuiu.

  • Riscos Ergonômicos e Acidentes: Mesmo que a empresa seja dispensada do PGR por não ter riscos químicos ou biológicos, ela ainda precisa gerenciar riscos ergonômicos (postura, repetição) e riscos de acidentes (quedas, choques).
  • Exames Médicos: A dispensa do PCMSO não desobriga a empresa de realizar os exames médicos ocupacionais (admissional, periódico e demissional) e emitir o ASO (Atestado de Saúde Ocupacional).
  1. Fiscalização e Punibilidade

 

O impacto da fiscalização nas ME e EPP segue o critério do Critério da Dupla Visita.

  • Como funciona: Na primeira visita do fiscal, a empresa geralmente recebe uma orientação e um prazo para se adequar, a menos que seja encontrado um risco grave e iminente.
  • A Punição: Se na segunda visita as pendências (como a falta da DIR ou exames vencidos) persistirem, as multas são aplicadas conforme a NR-28, mas costumam ser escalonadas de acordo com o número de funcionários para não inviabilizar o negócio.

Resumo Comparativo para ME/EPP

 

Item Regra para ME/EPP (Grau 1 e 2)
PGR Dispensado se não houver riscos físicos, químicos ou biológicos (via DIR).
PCMSO Dispensado se não houver riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos.
Treinamentos Podem ser realizados via EAD/Semipresencial.
Frequência A DIR deve ser mantida atualizada no portal do governo.

 

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