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14 de julho de 2026NR-1. E agora?
Se você é empresário ou contador, provavelmente já ouviu falar da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), mas talvez ainda não tenha percebido o tamanho do impacto que a sua atualização recente traz para o caixa e a operação das empresas.
Em termos simples: a saúde mental dos colaboradores agora é uma obrigação legal monitorada de perto, e ignorar esse fator pode custar muito caro.
Abaixo, traduzimos o cenário técnico e jurídico da nova NR-1 em um guia prático e dinâmico, desenhado sob medida para quem precisa proteger a empresa de passivos trabalhistas, previdenciários e tributários.
O que está acontecendo com a NR-1?
Até há pouco tempo, a NR-1 regulava apenas o que era fisicamente mensurável: ruído, poeira, riscos químicos e ergonômicos. No entanto, a nova redação da norma (que passou a valer plenamente em maio de 2026) mudou o jogo.
Agora, fatores como sobrecarga de trabalho, metas abusivas, assédio e cobrança desproporcional são classificados como riscos psicossociais. Eles devem constar obrigatoriamente no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) da sua empresa.
Afastamentos por Saúde Mental no Brasil:
2024: 440 mil ───> 2025: 546 mil (Maior recorde histórico!)
O Alívio Temporário do STF (Mas Cuidado com a Armadilha!)
No dia 25 de junho de 2026, o ministro André Mendonça, do STF, suspendeu por 90 dias a aplicação de multas administrativas sobre alguns pontos específicos da norma (na ADPF 1.316).
Atenção: O STF suspendeu a punição imediata do Ministério do Trabalho, e não a obrigação de cumprir a lei. A norma continua plenamente em vigor.
Se um funcionário adoecer por estresse ou assédio e a empresa não tiver um plano de gestão de riscos psicossociais, ela continuará exposta a processos trabalhistas milionários, indenizações e aumento de impostos.
O Impacto Financeiro Oculto (O que os Contadores precisam saber)
Para o contador e o planejador financeiro, o descumprimento da NR-1 gera um “efeito cascata” tributário e previdenciário muito perigoso:
| Ação | Consequência no Caixa |
| Afastamento Previdenciário (B91) | O afastamento por burnout ou depressão gera estabilidade provisória de 12 meses após o retorno do trabalhador. |
| Encargos de FGTS | A empresa continua obrigada a recolher o FGTS do funcionário afastado por motivo de doença ocupacional. |
| Elevação do FAP/RAT | Afastamentos longos aumentam o Fator Acidentário de Prevenção (FAP). Esse índice pode dobrar a alíquota do RAT incidente sobre a folha de pagamento inteira da empresa. |
| Ações Regressivas do INSS | O governo pode cobrar judicialmente da sua empresa o reembolso de cada centavo que gastou pagando o benefício ao trabalhador adoecido. |
E o Comércio Atacadista de Bijuterias de SP? Por que o alerta é máximo?
O estado de São Paulo abriga os maiores polos de atacado de bijuterias, semijoias e acessórios do país — concentrados em regiões de altíssimo giro e fluxo como o Brás, a Rua 25 de Março e a Rua Frei Caneca (capital), além do polo produtor de Limeira.
O setor atacadista de bijuterias possui características muito específicas que o tornam altamente vulnerável a riscos psicossociais:
- Sazonalidade e Ritmo Frenético: Períodos de datas comemorativas (como Dia das Mães, Namorados e Natal) geram uma pressão brutal por faturamento, expedição rápida e atendimento a revendedores.
- Sobrecarga em Vendas e Logística: Funcionários de televendas, atendimento online de atacado e separadores de estoque sofrem pressões diárias por metas volumosas e logística de entrega acelerada.
- Estrutura de Lojas Físicas e Showrooms: A exposição frequente a clientes impacientes, atrito no atendimento de atacado e o monitoramento de perdas/furtos de peças pequenas geram estresse cumulativo.
Entidades ligadas ao setor, como o SINCABIJU (Sindicato do Comércio Atacadista de Bijuterias do Estado de São Paulo), já estão acompanhando de perto esse movimento. A fiscalização no comércio paulista priorizará ambientes com metas agressivas e pressão temporal constante.
O Caminho de Prevenção para a sua Empresa
Para os empresários de atacado de bijuterias e seus contadores parceiros, o período de suspensão de multas do STF é uma janela de oportunidade para estruturar a conformidade. Não espere as punições voltarem para agir:
1.Mapeamento de Riscos: Foco na organização.
Avalie se a sua equipe do comércio/estoque está trabalhando sob sobrecarga, horas extras excessivas ou metas inalcançáveis.
2.Atualização do PGR:Obrigatório por lei.
Integre os fatores de risco psicossociais identificados diretamente ao seu Programa de Gerenciamento de Riscos.
3.Canal de Escuta e Acolhimento: Prevenção de assédio.
Implemente canais seguros e anônimos para denúncias de assédio moral/sexual ou reclamações sobre o ambiente de trabalho.
4.Treinamento de Lideranças: Cultura corporativa.
Capacite gerentes e supervisores de vendas a coordenarem suas equipes sem utilizar pressão psicológica ou métodos de cobrança abusivos.
Para entender em detalhes como a organização do trabalho se conecta diretamente à nova NR-1, você pode assistir a este Webinário sobre Riscos Psicossociais na NR-1.
O vídeo traz uma explicação profunda de especialistas sobre como as empresas devem agir para reestruturar suas rotinas de forma segura e dentro das novas diretrizes da lei.
